A REVOLUÇÃO dA SAÚDE MENTAL já começou
Como aplicar a Terapia Cetogênica em transtornos mentais graves, segundo as maiores autoridades no assunto
2/27/202614 min read
Novo artigo publicado na Frontiers in Nutrition apresenta o primeiro framework clínico, desenvolvido por especialistas, para a implementação segura da terapia metabólica cetogênica em transtornos mentais graves, como esquizofrenia, transtorno bipolar e transtorno depressivo maior.
O que você vai ler a seguir é mais um registro importante no capítulo que está sendo escrito atualmente na história da Psiquiatria. Um grupo de médicos, nutricionistas e pesquisadores, incluindo nomes das Universidade de Harvard, Stanford e Edinburgh publicam framework para uso seguro da Terapia Cetogênica em transtornos mentais graves.
Este artigo, publicado na Frontiers in Nutrition, apresenta o primeiro consenso internacional de especialistas revisado por pares sobre a implementação da Terapia Metabólica Cetogênica (TMC) em transtornos como esquizofrenia, transtorno bipolar e depressão maior.
Desenvolvido por meio de uma metodologia Delphi modificada, o documento reúne a experiência de um painel multidisciplinar de especialistas e a validação de dezenas de clínicos para estabelecer 33 recomendações práticas sobre indicação, segurança, monitoramento e melhores práticas clínicas. O consenso posiciona a TMC como uma terapia promissora, especialmente para pacientes que não respondem adequadamente aos tratamentos farmacológicos convencionais, ao focar na correção da disfunção metabólica cerebral subjacente.
Passo a passo:
1) O desenvolvimento das 33 declarações de consenso foi realizado por um painel multidisciplinar de 8 especialistas em psiquiatria, psicologia, nutrição e ciência metabólica. Este grupo, sediado nos Estados Unidos e na Escócia, incluiu lideranças de instituições como a Harvard Medical School e a Stanford University e nomes como Georgia Ede,Chris Palmer e Shebani Sethi.
2) Validação (Painel de Clínicos): Após a criação das declarações, elas foram enviadas para 47 profissionais de saúde, para avaliar o nível de consenso. Esse grupo não era formado apenas por médicos. Para garantir que o consenso cobrisse todas as frentes do tratamento, ele contou com 24 médicos, 8 nutricionistas, 6 coaches de saúde, 5 terapeutas, 3 enfermeiros e 1 psicólogo. Todos são profissionais que empregam a Terapia Metabólica Cetogênica (TMC) em sua prática clínica.
A função deles foi testar a viabilidade das diretrizes. Eles pegaram o que os 8 líderes da área formularam e confirmaram, com base em sua experiência diária com pacientes, se aqueles pontos eram corretos, seguros e eficazes. Sem a validação desses 47 profissionais, o documento seria apenas a opinião de um pequeno grupo, e não um consenso clínico robusto.
Confira abaixo o resumo do framework:
Tópico A: Definição da TMC no Contexto da Saúde Mental
1. Histórico de 100 anos na epilepsia
A TMC não é uma dieta moderna ou passageira; ela é uma intervenção médica estabelecida há mais de um século para o tratamento de crises epilépticas que não respondem a medicamentos. Essa base histórica fornece aos médicos uma vasta gama de dados sobre a segurança e a eficácia de manter o corpo em cetose por longos períodos. No contexto da psiquiatria, esse histórico é vital porque a epilepsia e os transtornos mentais graves compartilham mecanismos biológicos semelhantes, como a hiperexcitabilidade neuronal. O sucesso da TMC na neurologia serve como prova de conceito de que mudar o combustível do cérebro de glicose para cetonas pode estabilizar funções cerebrais complexas.
2. Suporte em ensaios clínicos e mecanismos
A eficácia da terapia é respaldada por pelo menos seis ensaios clínicos randomizados em adultos com epilepsia e uma vasta literatura científica que descreve como ela funciona. Esses estudos detalham mecanismos como a melhora da função mitocondrial, a redução do estresse oxidativo e o equilíbrio dos neurotransmissores. Para o paciente psiquiátrico, isso significa que a recomendação não é baseada em suposições, mas em biologia celular documentada. Compreender esses mecanismos permite que os clínicos expliquem como a dieta pode atuar na "raiz" do problema metabólico cerebral que contribui para os sintomas psiquiátricos.
3. Promessa em transtornos mentais graves
O consenso estabelece que a TMC mostra um potencial significativo para tratar condições como esquizofrenia, transtorno bipolar e depressão maior. Embora a evidência para a saúde mental ainda esteja em maturação em comparação com a epilepsia, os resultados observados em casos clínicos e estudos piloto são altamente promissores. Essa declaração serve para validar a TMC como uma opção terapêutica séria que os médicos devem começar a considerar. Ela incentiva a transição de um modelo de tratamento focado apenas em sintomas para um que aborda a saúde metabólica do cérebro como parte da recuperação.
4. Produção de cetonas endógenas
A essência da TMC é a modificação da ingestão de alimentos (especialmente a redução drástica de carboidratos) para forçar o corpo a produzir corpos cetônicos a partir da gordura. Esse processo cria um estado chamado "cetose nutricional", onde o cérebro passa a usar essas cetonas como sua principal fonte de energia. Diferente do uso de suplementos, o consenso foca na cetose endógena (produzida pelo próprio corpo), que é obtida através de uma dieta bem formulada de baixo carboidrato, gordura adequada e proteína suficiente. Isso garante que os benefícios metabólicos sejam profundos e sustentados pela mudança fisiológica interna do paciente.
5. Elevação mínima e duração para benefícios
Para que a terapia tenha efeito terapêutico na saúde mental, é necessária uma elevação mínima de cetonas no sangue (BHB), geralmente a partir de 0,5 mmol/L. Além disso, essa elevação deve ser mantida por uma duração substancial, recomendando-se um período de pelo menos três meses para que os benefícios sejam avaliados. Isso é didaticamente importante para alinhar expectativas: a melhora psiquiátrica não acontece da noite para o dia. O cérebro precisa de tempo para se adaptar ao novo combustível e para que os processos de reparo celular e redução de inflamação se traduzam em melhora dos sintomas.
Tópico B: Identificação do Candidato Ideal
6. Presença de sinais periféricos de disfunção metabólica
Indivíduos que já apresentam problemas como obesidade, resistência à insulina, diabetes tipo 2 ou hipertensão são considerados candidatos ideais. Isso ocorre porque a TMC é excepcionalmente eficaz em reverter esses quadros, o que frequentemente resulta em uma melhora paralela da saúde mental. O raciocínio aqui é que o corpo e o cérebro estão conectados; se o metabolismo do corpo está doente, é muito provável que o cérebro também esteja sofrendo com a mesma disfunção. Tratar a base metabólica ajuda a resolver dois problemas com uma única intervenção nutricional.
7. Candidatos sem sinais periféricos visíveis
Um ponto crucial do consenso é que pacientes sem sinais visíveis de obesidade ou diabetes também podem se beneficiar da TMC. Isso ocorre porque um indivíduo pode ter um "hipometabolismo cerebral" (fome de energia no cérebro) mesmo que seus exames de sangue periféricos pareçam normais. Didaticamente, isso ensina que a ausência de excesso de peso não exclui a necessidade de terapia metabólica. A TMC pode atuar diretamente na bioenergética do sistema nervoso central, fornecendo uma fonte alternativa de combustível para neurônios que não conseguem mais processar a glicose adequadamente.
8. Adequação na ausência de contraindicações
Qualquer adulto com transtorno mental grave que não possua contraindicações médicas absolutas (como doenças raras do metabolismo de gorduras) é considerado apto para um teste terapêutico. Isso expande o acesso à terapia para uma vasta gama de pacientes que buscam alternativas. A ideia é que, sendo uma intervenção baseada em comida, ela deve ser acessível. Desde que o histórico médico seja revisado por um profissional, a barreira para tentar a TMC deve ser baixa, dado o seu perfil de segurança em comparação com muitos psicofármacos.
9. Casos em que a TMC pode não ser adequada
Embora promissora, os especialistas concordam que a TMC pode não ser apropriada para todos os indivíduos com doenças mentais graves. Isso pode incluir pessoas com condições médicas específicas, como insuficiência hepática ou renal grave, ou questões de segurança psiquiátrica aguda. Esta declaração reforça a necessidade de uma avaliação clínica individualizada. O médico deve pesar se o paciente tem estabilidade suficiente para seguir as mudanças dietéticas ou se existem riscos físicos que superam os benefícios potenciais da cetose.
10. Importância da motivação e suporte social
O sucesso da TMC depende fortemente da capacidade do paciente de seguir a dieta, por isso pessoas motivadas e que possuem pelo menos uma pessoa de apoio (familiar ou amigo) são os melhores candidatos. O suporte social ajuda a superar os desafios sociais e práticos de mudar hábitos alimentares. Para o paciente, isso significa que o ambiente importa tanto quanto o prato de comida. Ter alguém que compreenda a terapia e ajude no preparo das refeições ou na manutenção do foco aumenta drasticamente as chances de a cetose ser mantida por tempo suficiente para funcionar.
11. Sucesso em ambientes controlados
Pacientes que não possuem motivação inicial ou suporte em casa ainda podem ter sucesso se a terapia for iniciada em ambientes controlados, como unidades de internação ou residências terapêuticas. Nesses locais, a dieta pode ser administrada de forma precisa pela equipe de saúde. Isso mostra que a TMC é uma ferramenta flexível. Em casos graves de desorganização mental, o controle externo da alimentação pode ser a chave para estabilizar o metabolismo cerebral e, consequentemente, devolver ao paciente a clareza necessária para seguir o tratamento por conta própria depois.
12. Intolerância a efeitos colaterais de medicamentos
Muitos medicamentos psiquiátricos causam ganho de peso severo e problemas metabólicos, levando os pacientes a abandonarem o tratamento. Indivíduos que sofrem com esses efeitos são candidatos excelentes para a TMC. A TMC não apenas pode ajudar a tratar os sintomas mentais, mas também pode mitigar os efeitos colaterais metabólicos das medicações, como a resistência à insulina causada por antipsicóticos. É uma forma de proteger o corpo enquanto se trata a mente.
13. Pacientes que recusam tratamentos farmacológicos
Para indivíduos que preferem não usar medicamentos ou que têm objeções a tratamentos químicos, a TMC oferece uma alternativa médica baseada na biologia e na nutrição. Ela preenche uma lacuna importante para quem deseja um controle maior sobre sua saúde através de mudanças no estilo de vida. Didaticamente, é importante destacar que a TMC é uma intervenção médica, mesmo sendo nutricional. Ela oferece um caminho para pacientes que, de outra forma, poderiam ficar sem nenhum suporte terapêutico por recusarem a farmácia convencional.
14. Doenças refratárias ao tratamento convencional
O candidato "clássico" é aquele cujo transtorno não melhorou após várias tentativas com diferentes medicamentos (casos refratários). Quando a abordagem baseada em neurotransmissores falha, mudar para uma abordagem baseada em energia cerebral (metabolismo) faz todo sentido clínico. Isso traz esperança para casos considerados "perdidos" pelo sistema de saúde. A TMC atua em vias diferentes das medicações padrão, o que explica por que ela pode funcionar onde as pílulas falharam.
15. Uso como terapia adjunta (complementar)
Inicialmente, a TMC deve ser oferecida como um complemento ao tratamento de primeira linha (remédios e terapia), e não como substituta. O objetivo é que ela potencialize os resultados do tratamento que o paciente já realiza. Isso garante a segurança do paciente. Com o tempo e sob supervisão médica, se a melhora for significativa, as doses dos medicamentos podem ser ajustadas, mas o ponto de partida deve ser sempre a colaboração entre a nutrição e a psiquiatria convencional.
16. Direito ao teste terapêutico
O consenso afirma que todos os pacientes adequados que desejarem devem ter a oportunidade de realizar um teste com a TMC. Isso coloca a autonomia do paciente no centro da decisão clínica. Se a terapia é segura e tem potencial de benefício, não há razão ética para negá-la a quem deseja tentar. O papel do médico é fornecer a estrutura e a supervisão para que esse teste seja feito com o máximo de eficácia e segurança possível.
Tópico C: Padrões de Monitoramento e Medição
17. O limiar de 0,5 mmol/L de BHB
O beta-hidroxibutirato (BHB) é o principal corpo cetônico no sangue. O consenso define que a cetose clinicamente relevante para o cérebro começa quando este nível atinge pelo menos 0,5 mmol/L. Abaixo disso, o corpo pode não estar em um estado metabólico suficiente para gerar mudanças terapêuticas significativas. Monitorar esse número é como monitorar a dosagem de um remédio. Ele dá ao paciente e ao médico a certeza de que a mudança na alimentação está, de fato, alterando a química do sangue conforme o planejado.
18. Alvos mais altos (1,0 mmol/L ou mais) para psiquiatria
Embora 0,5 mmol/L seja o início, os especialistas observaram que as melhoras psiquiátricas mais robustas ocorrem quando os níveis de BHB são mantidos em 1,0 mmol/L ou mais. Alguns pacientes podem precisar de níveis ainda mais altos para estabilizar sintomas graves. Isso é didático ao mostrar que a "dose" importa. Se o paciente está na dieta, mas não vê melhora, o clínico pode verificar se o nível de cetonas está alto o suficiente antes de concluir que a terapia não funciona.
19. A importância da consistência (6-12 semanas)
Não basta atingir a cetose por alguns dias; é necessário manter os níveis de cetonas elevados consistentemente por 6 a 12 semanas para começar a observar mudanças nos sintomas mentais. Este é o tempo necessário para o cérebro "remodelar" suas vias energéticas. Didaticamente, isso previne o desânimo precoce. O paciente deve entender que as primeiras semanas são de adaptação biológica, e o verdadeiro efeito terapêutico na mente requer essa persistência sustentada no estado de cetose.
20. Variabilidade na duração do teste (3-4 meses)
O tempo para perceber os benefícios pode variar muito de pessoa para pessoa, podendo levar de 3 a 4 meses em alguns casos. Fatores como a gravidade da doença e a flexibilidade metabólica individual influenciam essa velocidade. O consenso recomenda que o teste só seja considerado "falho" se for mantido por pelo menos três meses sem resultados. Isso dá segurança ao médico para não desistir de um tratamento que poderia funcionar se tivesse um pouco mais de tempo.
21. Monitoramento regular do BHB no início
Durante os primeiros três meses (fase de iniciação), o nível de BHB sérico deve ser medido com frequência. Recomenda-se a medição diária no começo para ajudar o paciente a entender como diferentes alimentos afetam sua cetose. Isso educa o paciente sobre seu próprio corpo. Com o tempo, conforme a pessoa se torna experiente e a dieta se estabiliza, a frequência das medições pode diminuir, mas no início ela é a bússola do tratamento.
22. Alternativas para medição (hálito e urina)
Embora o teste de sangue (picada no dedo) seja o padrão ouro pela precisão, métodos como medidores de hálito ou tiras de urina podem ser usados se o teste sanguíneo for inviável ou muito desconfortável para o paciente. O importante é ter algum dado. Mesmo que o hálito e a urina sejam menos precisos que o sangue, eles ainda fornecem uma confirmação visual de que o paciente está produzindo cetonas, o que ajuda na motivação e no acompanhamento clínico.
23. Exames laboratoriais de base
Antes de começar, é fundamental realizar um painel completo: hemograma, perfil lipídico, insulina em jejum, glicose, vitaminas D e B12 e um painel de carnitina. Esses exames servem para garantir que não existam deficiências ou riscos ocultos. Didaticamente, isso mostra que a TMC é tratada com o rigor de qualquer intervenção médica. Conhecer os níveis iniciais permite ajustar a dieta e a suplementação de forma personalizada desde o primeiro dia.
24. Monitoramento laboratorial contínuo
Os mesmos exames realizados no início devem ser repetidos regularmente durante o tratamento. Isso permite ao médico acompanhar como o corpo do paciente está respondendo à dieta a longo prazo, monitorando níveis de colesterol, função renal e equilíbrio vitamínico. Este monitoramento garante que a terapia seja não apenas eficaz para a mente, mas também segura e saudável para o resto do corpo, permitindo ajustes rápidos se algum marcador sair do esperado.
25. Suplementação de nutrientes críticos
Se forem detectadas deficiências em nutrientes como Vitamina D, B12 ou L-carnitina, elas devem ser corrigidas com suplementos. A carnitina, em especial, é essencial para transportar gorduras para dentro das mitocôndrias para serem queimadas como energia. Isso ensina que a dieta cetogênica não é apenas sobre "cortar carboidratos", mas sobre garantir que a maquinaria celular tenha todos os componentes necessários para funcionar. Um déficit de carnitina, por exemplo, pode impedir o sucesso da terapia mesmo que a dieta esteja correta.
26. Hidratação e eletrólitos
O consenso enfatiza que manter uma hidratação adequada e a ingestão de eletrólitos (sódio, potássio, magnésio) é vital, especialmente na fase inicial. A cetose faz o corpo eliminar mais água e sais minerais através da urina. Muitos dos efeitos colaterais iniciais, como a "gripe cetogênica" (dor de cabeça e fadiga), são causados simplesmente pela falta de sal e água. Didaticamente, instruir o paciente a aumentar o sal e a água pode transformar uma experiência difícil em uma transição suave.
Tópico D: Melhores Práticas de Implementação
27. Personalização da dieta
A TMC deve ser adaptada às necessidades, preferências culturais e restrições alimentares de cada paciente. Não existe um modelo único; ela pode ser onívora, vegetariana ou focada em diferentes tipos de gordura. A personalização aumenta a adesão a longo prazo. Um paciente que gosta do que come tem muito mais chance de manter a terapia por meses ou anos, o que é necessário para o tratamento de doenças crônicas.
28. Equipe multidisciplinar treinada
O ideal é que o paciente seja acompanhado por um nutricionista e um médico, ambos com treinamento específico em TMC. O nutricionista cuida do prato, enquanto o médico cuida das medicações e da saúde clínica geral. Isso garante a segurança. A cetose altera a forma como o corpo processa substâncias, e ter profissionais que entendem essa interação evita erros graves, como a manutenção de doses excessivas de remédios que se tornam mais potentes durante a dieta.
29. Monitoramento de marcadores metabólicos
Além do sangue, medidas simples como peso, IMC e circunferência abdominal devem ser acompanhadas regularmente. A redução da gordura visceral (na barriga) é um excelente indicador de que a saúde metabólica está melhorando. Esses dados dão um retorno visual rápido para o paciente. Ver a circunferência abdominal diminuir e o peso estabilizar serve como um reforço positivo importante enquanto se aguarda as melhoras mais lentas nos sintomas psiquiátricos.
30. Vigilância de sintomas psiquiátricos na adaptação
Durante as primeiras semanas, o clínico deve monitorar de perto se há flutuações ou piora temporária dos sintomas mentais (como irritabilidade ou ansiedade). Isso pode ocorrer enquanto o cérebro se ajusta ao novo combustível. Educar o paciente e a família sobre essa possibilidade evita o pânico. Saber que uma breve oscilação de humor pode ser apenas parte da "fase de adaptação" ajuda a manter a calma e a prosseguir com o tratamento de forma segura.
31. Ajuste de medicações psiquiátricas
O consenso é claro: ajustes em psicotrópicos só devem ser feitos pelo médico prescritor. A cetose pode alterar a concentração ou o efeito dessas drogas, muitas vezes exigindo uma redução das doses conforme a inflamação diminui. Isso protege o paciente contra a toxicidade ou a retirada abrupta. À medida que o cérebro se torna mais saudável e estável através da dieta, ele pode precisar de menos suporte químico, mas esse processo deve ser lento e supervisionado.
32. Ajuste de medicamentos para pressão e diabetes
Remédios para pressão alta e diabetes (especialmente insulina e diuréticos) muitas vezes precisam de ajustes quase imediatos, pois a TMC reduz a pressão e o açúcar no sangue muito rapidamente. Didaticamente, isso alerta para a potência da intervenção nutricional. Se o paciente continuar com a mesma dose de remédio para diabetes enquanto faz a dieta, ele corre o risco de uma queda perigosa de açúcar (hipoglicemia). A vigilância médica precoce é indispensável aqui.
33. Educação de profissionais como prioridade
O último ponto do consenso afirma que treinar psiquiatras, nutricionistas e outros profissionais de saúde na TMC deve ser uma prioridade para o campo da saúde mental. Atualmente, poucos profissionais dominam essa ferramenta. Para o futuro da psiquiatria, isso significa criar uma nova geração de clínicos que saibam usar a comida como terapia médica. A educação especializada é o que permitirá que esses 33 consensos cheguem de fato à ponta, beneficiando os pacientes no consultório.
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E você pode acessar a publicação original da Frontiers in Nutrition aqui.
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